
Ousadia pouca é bobagem quando trata-se do mestre dos filmes de ação/ficção.
Espantei-me ao saber de seu nome envolvido neste drama comovente.
Foi às lágrimas que Spielberg saiu do teatro ao ver a montagem londrina decidindo torna-lo filme.
Desafio em fazer algo totalmente diferente do costumeiro? Talves,mas acredito mais na sua paixão por fazer algo que só acredita que realmente vale a pena se tocar o coração das pessoas.
E foi assim que o mestre verteu para o cinema uma estória que a princípio é parecida com tantas outras.
De novo a estória de um garoto e seu cavalo.
O diferencial é que temos Spielberg desta vez.
Ele não dá ao animal aquele excesso de personalidade humana ridicularmente patética que chega a nos irritar,e sim o trata com uma competência ímpar de nos revelar sua irracionalidade mas ao mesmo tempo seus sentimentos animais.
É no equilíbrio que acerta.
Aborda amizade,lealdade,compaixão,muitas vezes esquecidos no cotidiano, e aqui revelados de forma dura,na atmosfera da guerra,justamente pra refletirmos.
O filme é isso,cenas fortes,duras,cruéis(pessoas saiam da sala)e em meio,sentimentos tão nobres.
Resisti bravamente às lágrimas até a cena em que o cavalo vendo que seu amigo equino não aguentaria subir a montanha com um canhão,(o que custaria-lhe uma bala na cabeça)oferecesse para tal sacrifício.
Até onde você iria por um amigo?Seria capaz de carregar-lhe sua cruz?
O filme nos encosta na parede e pensamos naquela meia dúzia de pessoas a quem realmente somos leais e respondemos de imediato:sim.
A partir de então,baldes e mais baldes de lágrimas.
Na cena final,com um “Q” de E o Vento Levou...(céu alaranjado no pôr do sol)arrebateu-nos o coração e fomos às palmas emocionadíssimos.
Spielberg é o gênio que soube trazer às telas a mais pura emoção do teatro.