
Numa noite quente,surge numa estrada poeirenta das savanas africanas,um espécime sem igual.
Um leão grande e musculoso tão negro quanto ônix.
Corria pelo simples prazer de correr.
O vento o refrescava .
A sensação era incrível.
Olhos maus só revelados pelo feixe prata da lua.
Um pobre ancião(pele e osso) oriundo daquele vilarejo próximo,cruzava aquela estrada.
Puxava sua pesada carroça com aquilo que a sociedade chama de lixo,mas ele chama de sustento.
Eles não sabiam,mas há poucos segundos,as vidas desses dois seres iriam se cruzar.
Naquela velocidade o negro leão sentia-se poderoso,pleno ser desfrutando do que a natureza lhe proporcionou.
Mas no instante em que a criatura avista aquele frágil homem.
E aquele ser triste se dá conta da séria ameaça.
Já sabe qual será seu destino.
Não há o que fazer,é o fim.
Serei devorado(pensou).
O leão calcula rapidamente distância e velocidade e percebe que se correr ainda mais poderá saltar a carroça.
Ele curtia a velocidade,seria desagradável interromper a sensação.
Já o ancião,com boca seca,sentia que aqueles seus últimos segundos de vida pareciam horas.
E indagou:
Por que aguardar a morte demora tanto?
Não teve coragem de continuar a ver aquela enorme criatura demoníaca e fechou os olhos.
Mas o leão não era mau,como o ancião pensava.
Seu aspecto não condizia com sua alma.
Naqueles segundos finais,o leão percebeu o quanto egoísta estava sendo.Estava preocupado apenas consigo em não perder o prazer que sentia do vento na face.
E lhe veio um segundo pensamento:
Estou errado!
E quanto ao ancião?
Ele está apavorado.
E se ele resolvesse correr ao invés de permanecer ali?(raciocinou).
Seus cálculos matemáticos iriam por água à baixo e o choque seria fatal para o pobre.
Então,começou a reduzir a velocidade.
Reduziu até que seu trocar de patas parecesse um lindo bailar.
E com seu porte elegante foi parando,parando.
Ate´que o ancião abriu os olhos(desconfiando daqueles segundos mortais que àquela altura já deveriam ter chegado).
Foi quando viu a exuberante criatura sob a luz da lua,parado,ofegante e envolto pela poeira que levantara da estrada.
Ainda com olhos maus,a princípio ameaçadores,pois seu aspecto físico será sempre este.
Mas que se olhando bem fundo em suas pupilas igualmente negras via-se sua alma boa.
Então ao se ver vivo através dessas pupilas,sorriu.
O leão sorriu de volta vendo o pobre continuar seu caminho.
Ele se deu conta de que essa sensação que ele sentira agora é mil vezes melhor da que ele sentira há segundos atrás.
Com o coração desacelerado e feliz,continuou sua jornada.
Ele não precisava mais ir correndo.
Aprendeu que a velocidade,não era assim tão fantástica,e sim ela poderia ser traiçoeira.
Foi imóvel que ele sentiu uma das maiores sensações.
A compaixão.
Moral da estória:
Pensar no próximo ao invés de si,nos causa recompensas muito maiores.
Moral da estória 2:não julgar pelas aparências.
Misturando ficção e realidade,espero que tenham gostado.
Abraços.
2 comentários:
como sempre vc escreve fantasticamente
Muito obrigada,senhorita. :)
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