No começo vem o entusiasmo,atores a quem estimo,músicas que adoro.Mas com o passar do tempo,algo começou a me incomodar muito em Mamma Mia Br e não sabia o que era.
Sei que muitos não vão gostar nada,nada do que irei escrever,mas é o que penso e desculpem,comparar com a versão Brasil foi inevitável.
Enfatizo que este texto não tem a menor pretensão de dar uma visão técnica de como o original se apresenta ao público,não tenho nenhum conhecimento pra isso, deixo essa tarefa para os críticos.
Ele nada mais é do que um comparativo entre duas montagens que me fez perceber o quanto a mesma obra pode ser bem diferente,me ajudando a descobrir e entender o porque dessa minha “torcida de nariz” com a montagem brasileira.
Mas antes,uma pequena fugida ao tema(bem ao meu estilo).
Estar circulando por estas ruas da Broadway para muitos é um sonho,mas pra mim,(desculpem minha falta de sensibilidade) não me surpreenderam todas estas luzes.
Sim é bacana,mas no geral aqui não passa de uma São Paulo 2.0.
No começo é bacana andar por aqui,mas com o tempo, não queria nem passar perto de todo esse agito,não gosto de multidões.
Mas o mais importante.
A atmosfera deste lugar é o que mais me chama atenção.
Espetáculos às segundas,terças às duas da tarde ou em (literalmente) toda esquina não é em qualquer lugar.
Cultura é o que se respira aqui,achei isso incrível.
Comprovei com meus olhos:os musicais da Broadway são uma indústria muito bem consolidada há décadas.
Quiçá um dia o Brasil consiga chegar ao nível de excelência em estrutura,organização e principalmente público .
Quando estiver na região da Times,nesta que é considerada a esquina do mundo,preste atenção no requinte de detalhes das salas de espetáculos,são particularmente um capítulo à parte.
Winter Garden Theatre no número 1634 da Broadway já surpreende no seu gigantismo,chega a travessar a rua de trás.
Ao sair da estação 50 dá-se para um pátio que ao subir as escadas.
Lá está ele.
Aquele banner enorme de Mamma Mia.
A primeira vez que o vi me causou um frisson,...a ficha caiu ...estava na Broadway.
E preço por preço escolhi lugar na frente.
Por pouco mais de 127 Dólares,não preferi mezanino(que pasmen)é o mesmo valor.
E não esqueçam dos cupons de descontos nos aeroportos.
Já a fila da TKTS me desanimou total.
Tempo em NY é um luxo que não estava a fim de desperdiçar.
Na TKTS variava de acordo com o dia,30,40,ou 50%,mas detalhe: não se escolhe lugar.
Portanto,com o cupom do aeroporto fui direto na bilheteria.
O assento na frente me saiu a $ 96,50 e detalhe,mais barato que costumamos pagar no Brasil.
O interior do teatro é glamoroso com aquele requinte que só o passado permitia ter.
Repare do carpete ao teto.
E que teto!
Elementos do teatro ,músicos ilustram com tamanha beleza que só não conseguem ofuscar os lustres de cristais pois estes de tão imponentes garantem seu destaque.
As paredes com seus desenhos dourados num fundo bordô compõe a sala,sem contar sua textura aveludada.
Mas poderia estar bem mais cuidado, reparei uns lascadinhos no rodapé e sujeiras no teto denunciando uma certa falta de zelo,pedindo uma reforma.
Mesmo assim estar no Winter já vale o ingresso.
Sobre a lojinha,segue imagem:
Todos acomodados e o musical começa.
O inicio da orquestra sempre vibrante.
Liana Hunt dá a sua Sophie o ar certo pra idade, nada de criancices ou fácies de mimada,voz bonita que agrada, embora confesso que alguns de seus agudos me irritaram os ouvidos.
Apesar de algumas falhas de microfones o som da sala achei muito bom,mas bom mesmo.
Com a orquestra bem escondida no fosso, era conduzida pela maestrina magistralmente.
No geral o humor do musical,as tiradas são bem ao gosto americano.
Era possível rir sim,mas diferentemente de minha cultura,muitas daquelas firulas não me pareciam tão divertidas assim.
Sobre Jennifer Perry com sua Rosie bem na meia idade:era divertida,mas não muito dona da situação quando contracenava com Judy McLane (Tanya).Aliás,esta chiquérrima com seu conjunto de malas completo da Louis Vuitton.rsrs
Sou mais Andrezza Massei,mas também gostei de sua Rosie.
Judy tem uma voz incrível,me conquistou,adorei suas cenas,mas também prefiro Rachel Ripani.
O segundo ato começa com uma de minhas cenas preferidas,Under Attack,mas pena,economizaram demais no gelo seco,achei um fiasco.Amo essa cena e quanto mais gelo seco pra mim melhor.
No Brasil,que se virem os músicos no fosso!rsrs
Gostei de Corey Greenan com seu Sky,um tanto quanto madurão.
O que foi bom,pois o tipo garotão passa longe e fica um cara gente boa sem esnobismos.
Quanto a Donna (Lisa Brescia),essa conto no final, (relembrando Gretel na Noviça:porque é a mais importante).rs
E agora vem meu tendão de Aquiles.
Descobri o que tanto me incomodava na versão Brasil.
A direção.
Sem dúvidas a direção é tudo.
Quando Charles Möeller dizia: “a minha Noviça”,naquele tópico inesquecível do Orkut, a dimensão era mais profunda do que eu pensava.
Hoje vejo que o musical pode ser bom,as músicas,os atores,mas se a visão do diretor não me agradar,sempre vou torcer meu nariz.
Não falo da direção estrangeira,falo especificamente dos responsáveis pela direção no Brasil.
Uma pena,não saber quem são,se não citava aqui.
Descobri porque não gosto dos três pais :a direção os deixou caricatos demais.
Sam(Saulo Vasconcelos) é um chato,um mala sem alça (como já disse na net em outras ocasiões).No início da temporada,um ranzinza e quando vi pela última vez um pedante que não perde a oportunidade de bancar a vítima o tempo todo.
Mudança significativa.
Sei que mudanças são normais,mas graduais.
Esta achei brusca demais,na minha opinião uma nítida falta de acerto da direção em dar uma personalidade ao Sam que agrade ao público.
Já quando solta seu vozeirão Saulo é imbatível,seu “sem você minha vida não tem mais porque” é sempre se arrepiar.
Já John Dossett faz um Sam sessentão sem nenhum sex appeal.
Com cabelos brancos e sem nenhuma intenção de buscar compreensão de Donna,está ali pelas forças das circunstâncias e o que virá é lucro,enfim,despreocupado.
Mesmo nas suas cenas mais fortes,vi um desapego dele com o passado.
Nosso Bill Austim(Carlos Aruza) é o próprio Crocodilo Dundie,nada de novo,mas Patrick Boll um homenzarrão vai mais além e conquista pela simpatia e personalidade próprias ao personagem.
Coube a Clarke Thorell dar vida ao seu Harry(sem graça nas duas montagens)uma pena ser gay,mas bem discreto,é um almofadinha bem comportado,nada de dar muito à vista.
Curti mais seu dueto com Donna.
Já no Brasil acho chatinha essa música.
No geral,os daqui de NY achei cada um com suas personalidades bem trabalhadas,são mais verdadeiros,mais densos,não parecendo sair dos quadrinhos com personalidades pré fabricadas como no Brasil.
E entendo que a quilometragem deles(tempo em cena)é maior que nossa versão brazuca.
O que explica em parte a diferença nas performances.
Já devem ter quebrado bastante a cabeça pra acertar.
Bem...
...lembrando.
Que fique claro.
Não falo que os atores no Brasil estão ou são ruins,só porque não gosto da forma como me é apresentada suas personagens.
Mas prefiro mil vezes as personagens que os atores daqui de NY me mostraram.
É isso.
O que posso fazer?
Não mando em meu coração.
Enfatizando mais uma vez(antes que magoe os fãs) que se no Brasil é assim,é porque a direção os orientou assim.E realmente não sei se os atores dessa montagem tem liberdade pra darem pitaco.
E pra finalizar:
A protagonista:Lisa Brescia(Donna)
Quarentona enxuta pra sua Donna.
Um ar um tanto quanto cansada dessa vida de dona de pousada do tipo faz tudo,mas que não perde a alegria.Voz linda mas que não me fez chorar em Tudo ao Vencedor.Achei que faltou mais entrega,mais sentimento.
No seu encontro com Sam não a vi tão irritada,tão incomodada assim com sua presença.
Faltou mais essa Donna dentro de si.
O que sobra em Lisa(idade pra personagem)falta em Kiara,mas o que sobra em Kiara(sacadas no timing certo)falta em Lisa.
Achei Lisa ligada nas marcações,sem o risco de ousar.
É certo,não se pode fugir da personagem,mas nas brechas certas,pode-se sim dar um “q” a mais.
E esse “q” a mais(meus caros da intriga da oposição)só uma certa Donna com K sabe dar.
Kiara dá sua assinatura às personagens e essa faz toda a diferença.
Sobre o ensemble ele é ótimo.
A iluminação surpreende,achei bem melhor que a do Abril.
Vi holofotes presos aos camarotes bem mais próximos ao palco.
As cores são mais vivas.
Cenários que se movimentam sem a presença humana no palco.
Já a ponte,que aqui funciona muito bem,obrigada.Não achei nada de mais até ver o visual na cena final,que de fato,faz toda diferença,fica muito bonita.
Curioso ver a mesma estória, o mesmo cenário, figurino com atores totalmente diferentes em outra língua.
Seria muita pretensão de minha parte considerar o musical Brasil melhor.
Não há melhor nem pior nessa estória.
São apenas diferentes.
Me agradaram muitas coisas no MM Broadway.
Muitas coisas as quais eles tiram de letra.
Sendo sincera,porque vocês sabem que não sou de disfarçar só pra agradar.
No geral,prefiro sim Mamma Mia Broadway ao invés do Brasil.
O daqui só tem um defeito.
Não tem nosso trio das Dynamos que são um ARRASO COM LETRAS GARRAFAIS E NEON DA BROADWAY.
Pra essas, tiro meu chapéu, aplaudo de pé e estendo tapete vermelho.
Enfim.
Pra mim Mamma Mia Broadway é assim.
Se puder,venha conferir.
Certeza que irá gostar.
Quartas:2 & 8 pm
Quintas:8 pm
Sextas:8 pm
Sábados: 2 & 8 pm
Domingos: 2 & 7 pm
1634 Broadway at 50 th Street
São Paulo,26 de junho de 2011
Sem dúvidas este é um dos comentários mais racionais que já fiz.
Só hoje tive tempo e coragem pra ler,reler e ver se realmente dias depois de escrever esse texto,é isso mesmo que tinha que expor.
Sim é isso mesmo.
Mamma Mia é o meu quase Fantasma da Ópera.Se não o tivesse visto antes,a uma hora dessas só diria que é lindo e maravilhoso,porque nunca havia visto um musical na vida.
Mas com o passar do tempo,vendo tantos,sem querer criamos um senso.
Saudade desse tempo que ia só por entretenimento.
Comecei a gostar de musical e deu no que deu,fiquei chata.rsrs
E é bem verdade que fazem exatos cinco meses que não vejo Mamma Mia Brasil.
Estão com cara de chocados,não é?!
Rsrsrs
Como ela pode ficar sem ver tanto tempo?Pensam vocês.
Pois é.
Mamma Mia pode ser meu quase Fantasma da Ópera,mas não é a minha Noviça(meu nº 2). :)
Portanto toda essa minha comparação é da visão que tenho do musical antes da visita dos protagonistas à NY pra verem seus colegas no palco.
Achei interessante esse convite assim tão “despretensioso”.
Não sei,não posso afirmar nada,mas me pareceu um convite pra verem como é lá pra acertarem as coisas aqui.
Ouvi dizer que mudaram.
Estou curiosa pra ver as mudanças.
Espero que tenham sido pra melhor.
Volto a ver dia 03/07,há exatamente um mês da data em que vi em NY.Pra mim uma data especial,sem dúvidas.
E independentemente da forma como cada um de nós vê o musical.
Seja onde for.
Com quem for.
Ele é bem legal.
Até a próxima.
;)